terça-feira, 10 de abril de 2007

WHEATFIELD WITH CROWS




CORVOS
Um observador se encontra diante dos trabalhos de \/incent van Gogh no Museu Van Gogh, em Amsterdã - Holanda। Anda de um lado para outro e senta defronte de um quadro, meditativo. Se apresenta irrequietos com as imagens, quando depara com o quadro da ponte e coloca o chapéu na cabeça e fica compenetrado na obra. Adentra no sentido figurado no ambiente retratado pelas imagens pintadas. No primeiro plano depara com as lavadeiras de roupa e procura pelo pintor. Na seqüência do movimento, as águas movimentam e uma carroça cruza a ponte. Podemos ver a riqueza do cenário cuja ponte é confeccionada conforme a pintura, usando alguns recursos da obra no que se refere aos matizes usados pelo artista. O visitante caminha por entre plantações, as casas calhadas com cores quentes. Tons amarelados e azuis, telhas avermelhadas. Detalhes das janelas bem explícitas. Os objetos se apresentam de forma marcante, carroças e rodas coloridas. O caminhante continua até avistar o pintor num roçado do trigal recém colhido. Este se encontra fazendo alguns estudos quando é abordado pelo visitante que lhe pergunta ser ele van Gogh seguido de um breve silêncio onde se ouve apenas o ruído do lápis por sobre o papel. O pintor devolve com outra pergunta:

─ Porque não está pintando? O cenário é incrível. Parecer um quadro não faz o quadro.
Esta frase soa como uma critica ao realismo e aos positivistas. Na seqüência ele continua:
─ Se olhar com atenção, a natureza tem sua própria beleza, quando esta beleza existe, perco-me nela. Então como em um sonho... O cenário se pinta sozinho. Eu absorvo essa cena natural. Devora-a total e completamente... e quando termino o quadro aparece diante de mim. Mas é tão difícil controlar.
─ E o que faz?
─ Trabalho. Escraviso-me. Impulsiona-me como um trem.
Neste momento aparece uma cena de uma locomotiva deslizando suas rodas. Esta representação da máquina, intercalando com a troca de papel na prancheta para a realização de um novo desenho de observação, carregado de gestos rápidos debaixo de um sol escaldante. O pintor trajava um chapéu por sobre a cabeça e um pano amarrando-a e cobrindo a orelha cortada. Neste instante ele diz:
─ Preciso me apressar. O tempo está acabando. Resta-me tão pouco tempo para pintar.
─ Você está bem? Parece ferido. Questiona o visitante.
─ Isto? Ontem completava um auto-retrato, não conseguia retratar a orelha, por isso cortei-a. O sol me compele a pintar, não posso perder tempo falando.
O visitante caminha pela paisagem e encontra com os registros do pintor e perambula por entre eles. Diferentes coloridos monocromáticos ocres, sobre tons azuis com detalhes claros e escuros: paisagens pastéis e suaves; caminhos com ciprestes e gramíneas amareladas; canteiros coloridos como se fossem flores e troncos robustos de árvores. Os cenários colo1idos com grossas camadas de tintas expressando texturas táteis. Num passe de mágica, a computação gráfica leva o visitante a percorrer o caminho pintado no quadro.
Simbolicamente o personagem adentra no universo de Arles e carninha com o intuito de entender um pouco mais sobre a obra. Na Seqüência Akira Kurosawa nos apresenta vários cenários e paisagens de van Gogh como se fosse uma busca apressada, e quando consegue avistar o pintor que avança no trigal fazendo elevar um bando de corvos e num pulsar automático, registra o instante como se fosse uma máquina fotográfica, congelando eternamente aquela imagem. Neste momento, o observador parado diante do quadro, retira num gesto simbólico seu chapéu como uma forma de saldar a obra e o artista,
KUROSAWA, AKIRA. Corvos. In Sonhos,
Fausto Fábio de Araújo. Uberlândia, outubro de 1997.

Um comentário:

Anônimo disse...

que legal

^^