sexta-feira, 23 de março de 2007

NIEMAYER

ENTREVISTA
Às vésperas dos 100 anos, Oscar Niemeyer fala sobre sua vida e obra em entrevista ao Estado, por e-mail. Revela o orgulho que sente da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, e o desejo de realizar um projeto em Cuba. O arquiteto admite que suas criações atraem turistas no Brasil e no mundo e comenta que faz questão de visitar todos os seus trabalhos no exterior, apesar do lendário medo de avião. Muitas vezes, é fato, ele dá um jeitinho de não voar. ´Meu avô já viajou de táxi da Itália para a Argélia´, diz o fotógrafo Kadu Niemeyer.Leia a seguir:
O senhor acha que suas obras rendem um bom roteiro turístico?
Não sei... Eu trabalho para os que me procuram. Em geral, é uma arquitetura ligada ao povo, abrangendo teatros, museus, bibliotecas, auditórios, etc. Mas os museus que criei em alguns lugares, dizem, fizeram expandir o turismo de uma forma espetacular.
Quais obras mais despertam o interesse do turista?
São aquelas que, pelo programa apresentado, me levam a soluções mais audaciosas e criativas, a exemplo do Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói.
Quais são os próximos projetos?
Tenho alguns projetos no exterior, como aquele que desenhei para Avilés, na Espanha (uma praça com museu e auditório). No Brasil, o centro administrativo de Minas Gerais, que o governador Aécio Neves pretende construir com o maior entusiasmo.
O Museu Guggenheim de Bilbao, de Frank Gehry, é uma obra turística porque a própria arquitetura atrai visitantes. O que o senhor acha dessa proposta?
É o mesmo que aconteceu em Niterói, quando criei o MAC. Para mim, a arquitetura dos museus é importante no momento em que atrai os visitantes para conhecê-la melhor internamente. É, não raro, o primeiro passo para que o público se interesse pelo mundo fascinante das obras de arte.
Brasília é a obra de maior orgulho?
Não. Foi a Igreja da Pampulha. O meu primeiro trabalho de arquiteto. Nela já se faz presente essa arquitetura mais livre e criativa que procuro realizar. Mas todas as minhas obras foram feitas com o maior carinho, e isso é o principal.
Em que cidade ou país o senhor gostaria de fazer um projeto?
Em Cuba. Em Havana, deverá ser construída uma praça onde será erguido um teatro, que já projetei, e uma escultura em homenagem ao povo cubano.
Qual projeto gostaria de ver construído?
O da Mesquita de Argel, na Argélia. Lembro-me quando o entreguei ao presidente (Houari) Boumedienne e ele me disse: ´Essa é uma mesquita revolucionária´. E, depois, riu com a minha resposta: ´A revolução não pode parar´.
O senhor conhece todas as suas obras no exterior, já que não gosta de avião?
Nunca viajei, a não ser a trabalho, o que explica a preocupação em visitar todas as minhas obras no exterior.
Onde passa as férias?
Paris seria a minha preferência, mas, em geral, passo férias numa casinha que temos em Coqueiral (Araruama/RJ).
Como serão as comemorações dos 100 anos?
Quero comemorá-lo abraçado, como sempre, aos amigos e à família.

O ALEIJADINHO







O ALEIJADINHO
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é considerado o maior artista barroco do período colonial brasileiro pela criatividade e originalidade de suas obras. Escultor e Arquiteto, construiu a igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, sua obra prima, bem como os profetas do adro da igreja de Congonhas e as esculturas das figuras dos passos e os atlântes da igreja do Carmo, de Sabará. Os frontispícios rendilhados de pedra-sabão, nas portadas de várias igrejas, bem como suas inúmeras esculturas, de pedra e madeira encontrada em várias igrejas do século XVIII, em Minas, atestam o grau de perfeição de suas obras: os púlpitos da de São Francisco de Assis (Ouro Preto) são notáveis pelo relevo e composição.
Ele inova o espaço arquitetônico. O retângulo antigo da nave passa a ser curvilíneo, bem como as paredes esculpidas dos púlpitos. As torres perdem a forma quadrada e se tornam curvas. A porta das ombreiras apresenta o grande florão esculpido do frontispício. Este frontispício, trabalhado em pedra-sabão, passará a ser moda depois de Aleijadinho. Os púlpitos de madeira passam a ser de pedra-sabão esculpidas.
As fachadas deixam a simplicidade anterior e ganham a riqueza dos redondilhos dos frontispícios, criados por ALEIJADINHO, o gênio do século XVIII em Minas Gerais, Antônio Francisco Lisboa inova o espaço, a talha, a escultura, revolucionando o barroco. Ele o faz passar para o barroco.
Exemplo deste período: São Francisco de Assis, de Ouro Preto, obra prima de Aleijadinho; Nossa Senhora do Carmo, de Sabará; São Francisco de São João Del-Rei e Carmo, de Ouro Preto, modificada por Aleijadinho.





RETROSPECTIVA COMEMORARÁ CENTENÁRIO DA PINTORA FRIDA KAHLO. Mexicana, que morreu em 1954, vai ter exposição Palácio de Belas Artes.18 de março de 2007 - 22:01
CIDADE DO MÉXICO - Uma grande retrospectiva que será inaugurada pelo presidente do México, Felipe Calderón, vai comemorar no Palácio de Belas Artes o centenário de nascimento da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954), informaram neste domingo, 18, os organizadores do evento.
A mostra será formada por 100 obras da famosa artista mexicana, entre elas pinturas, desenhos e documentos, afirmou neste domingo Juan Coronel Rivera, neto do artista Diego Rivera, que foi casado com Frida. Ele declarou que a mostra, que vai se chamar "Frida 100 anos", será "a maior realizada sobre a pintora nos últimos 30 anos no México".
A exposição, que incluirá algumas da coleção Gelman, otras da coleção Dolores Olmedo e "cinco ou dez" vindas dos Estados Unidos, será aberta entre os dias 5 e 6 de junho, um mês antes da data exata do aniversário de Frida, que nasceu em 6 de julho de 1907.
O organizador da mostra espera que a exposição permita mostrar os diversos aspectos da vida da pintora, que enfrentou vários problemas de saúde desde que sofreu um acidente de carro, em 1925, quando tinha 18 anos.
Juan Rivera disse ainda que o Palácio de Belas Artes, um dos museus mais importantes da Cidade do México, terá uma sala didática "onde vão ser expostas cartas" e outra onde as idéias políticas de Frida serão lembradas.
Lá, serão narrados acontecimentos como a despedida do então diretor do museu, onde Frida foi velada com uma bandeira do Partido Comunista em cima de seu caixão.
A exposição vai ter um catálogo no qual cinco especialistas sobre a obra de Frida vão escrever seus quadros, de maneira que, segundo Juan Rivera, se formará um "mosaico" para falar da artista.
Sobre as comemorações do cinqüentenário da morte de Diego Rivera (1986-1987), Juan disse que no próximo dia 24 de novembro será inaugurada uma mostra sobre o trabalho do artista, no Museu Anahuacalli.