sábado, 8 de setembro de 2007
DOPING
Na tentativa de superar limites, os atletas recorrem a todos os recursos possíveis, desde treinamentos exaustivos até a ingestão de drogas. Às vezes por determinação dos treinadores, tais drogas já fizeram vencedores e perdedores. Thomas Hicks, o americano ganhador da maratona de 1904 só chegou ao final da prova, mesmo depois de desmaiar, devido a claríssima interferência de seu treinador, que lhe injetou miligramas de estricnina (veneno conforme a dose) e deu-lhe conhaque para beber, A tais substâncias, bem como à clara de ovo, atribuíam-se propriedades estimulantes, experimentadas pelo vencedor Charles Paddock e outros concorrentes americanos na prova dos 100 m rasos desse mesmo ano. Em 1960, a sofisticação chegava às anfetaminas e à nicotina, que, por sua vez, combinadas ao esporte mataram o ciclista Knut Jensen (Dinamarca) na prova de velocidade. Desde então, teve início uma corrida entre os exames da Comissão Médica do COI e o uso de hormônios e esteróides pelos atletas. Mesmo assim, já em 1972 aconteceram anulações de resultados por simples ingestão de bebida alcólica (Hans-Gunnar Lijenvall, Suécia, pentatlo moderno). O caso mais famoso, entretanto, ocorreu em 1988, quando o atleta canadense Bem Johnson teve seu resultado anulado na prova dos 100 m rasos, em que estabelecera o recorde mundial (9”79), pelo uso de esteróides. Há quem defenda a regulamentação de tais drogas, uma vez que os usuários e seus recursos para burlar os testes estarão sempre um passo à frente da fiscalização (hormônios naturais não deixam traços conforme a dose).
SANTIAGO DE COMPOSTELA
Quatro praças cercam a basílica, cuja construção foi iniciada wm 1078: a das Platerías dá acesso ao templo através de uma porta românica. A de Quintana dá para a torre que marca a hora de Compostela. Por ali saem as procissões da basílica. Na Azabacheira o templo se transforma em neoclássico. Na praça de Obradoiro termina a calçada ao redor da basílica. O primeiro santuário erguido por Afonso II foi construído sobre um altar romano dedicado a Júpiter. Quando o número de peregrinos aumentou, a igreja foi reformada e ampliada até chegar às dimensões atuais. O Pórtico da Glória, construído no final do século XII, está situado atrás da belíssima fachada barroca do século XVIII. Entrando pela porta lateral vêem-se três grandes portais esculpidos com fileiras de anjos, apóstolos, profetas e personagens bíblicos. Imediatamente abaixo está o próprio São Tiago, sentado sobre a “árvore de Jessé” (árvore genealógica de Jessus, que começa com Jessé, pai de Davi). Na árvore há cinco sulcos causados pelos dedos dos peregrinos que, antes de entrar, passam a mao pedindo graças. Uma estátua dourada de São Tiago brilha intensamente sobre o altar. De cada lado há escadarias pelas quais sobem os peregrinos para abraçar a imagem. Ao descer, vê-se o ataúde de prata que contém os ossos do apóstolo. No altar-mor há uma estátua de São Tiago com chapéu de aba larga, montado em um cavalo branco, ladeado por anjos.
São três os principais caminhos utilizados pelos peregrinos para chegar a Santiago de Compostela:
- O caminho do norte, também conhecido como “rota cantábrica” ou Caminho alto”, foi usado nos primeiros tempos da peregrinação. O terreno acidentado tornou o caminho desaconselhável. Atualmente, voltou a ser usado por sua importância turística.
- O caminho francês, que atravessa parte da França antes de entrar em território espanhol, é o mais usado por peregrinos que vêm de outros continentes.
- O caminho de prata também chamado “calçada romana”, foi antigamente a mais importante rota de peregrinação e comércio entre os portos andaluzes e o norte da Espanha.
Qualquer que seja a rota escolhida para chegar a Compostela, os peregrinos fazem o possível para dormir, ao menos por uma noite, em um dos mosteiros espalhados pelo caminho, uma experiência espiritual sem dúvida inesquecível, apesar de todo o desconforto.
São três os principais caminhos utilizados pelos peregrinos para chegar a Santiago de Compostela:
- O caminho do norte, também conhecido como “rota cantábrica” ou Caminho alto”, foi usado nos primeiros tempos da peregrinação. O terreno acidentado tornou o caminho desaconselhável. Atualmente, voltou a ser usado por sua importância turística.
- O caminho francês, que atravessa parte da França antes de entrar em território espanhol, é o mais usado por peregrinos que vêm de outros continentes.
- O caminho de prata também chamado “calçada romana”, foi antigamente a mais importante rota de peregrinação e comércio entre os portos andaluzes e o norte da Espanha.
Qualquer que seja a rota escolhida para chegar a Compostela, os peregrinos fazem o possível para dormir, ao menos por uma noite, em um dos mosteiros espalhados pelo caminho, uma experiência espiritual sem dúvida inesquecível, apesar de todo o desconforto.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
A CARTA-TESTAMENTO
A CARTA-TESTAMENTO
Getulio Vargas.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam: não me combatem, caluniam-me, não me dão o direito de defesa.
Depois de decênios de espoliação dos grupos econômicos financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionaisaliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalhador. A lei de Lucros Extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia. Hora a hora resistindo a uma agressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu sangue será a vossa bandeira de luta.Ao ódio respondo com o meu perdão. Aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e agora me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço de seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação de meu povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade para entrar na história.
By Fausto Fabio de Araujo
Getulio Vargas.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam: não me combatem, caluniam-me, não me dão o direito de defesa.
Depois de decênios de espoliação dos grupos econômicos financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionaisaliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalhador. A lei de Lucros Extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia. Hora a hora resistindo a uma agressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu sangue será a vossa bandeira de luta.Ao ódio respondo com o meu perdão. Aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e agora me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço de seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação de meu povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade para entrar na história.
By Fausto Fabio de Araujo
domingo, 26 de agosto de 2007
O ARQUITETO DA POESIA
O arquiteto da poesia
João Cabral de Melo Neto
Reedição da obra do poeta comprova a vitalidade da sua poesia calculada
Ubiratan Brasil, do Estadão
SÃO PAULO - Em uma de suas poesias, O Que se Diz ao Editor a Propósito de Poemas, João Cabral de Melo Neto reclamava que seus livros tinham de ser logo publicados, ato que os tornavam embalsamados. "E preciso logo embalsamá-lo: / enquanto ele me conviva, vivo, / está sujeito a cortes, enxertos: / terminará amputado do fígado, / terminará ganhando outro pâncreas; / e se o pulmão não pode outro estilo / (esta dicção de tosse e gagueira), / me esgota, vivo em mim, livro-umbigo." A fama de recluso, portanto, não refletia na obra - em vários de seus versos, João Cabral, um poeta da mesma grandeza de Pessoa e Drummond, fazia confissões com idêntica emoção, mais aguda e afiada, como um grito quase petrificado.
É o que se pode observar no livro O Cão sem Plumas, que chega nesta segunda-feira, 27, às livrarias ao lado da coletânea inédita O Artista Inconfessável, iniciando a valiosa reedição da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), agora sob a chancela da Alfaguara. "E é por isso que decidimos criar aquele volume, que não existe de fato na sua bibliografia", explica Inez Cabral, filha do poeta. "Ali, ao longo de uma seleção de poemas cuidadosamente escolhidos, todos com traços biográficos, queremos mostrar que João Cabral nunca foi totalmente cerebral, anêmico."
Morte e Vida Severina
De fato, com a poesia novamente à disposição (o próximo volume deverá trazer o clássico Morte e Vida Severina), será possível perceber a ruptura radical na linguagem da poesia brasileira provocada por João Cabral. Antes dele, os versos nacionais viviam à sombra do simbolismo e da retórica pomposa. A partir de Pedra do Sono, de 1942, mas especialmente com a publicação de O Cão sem Plumas (1950), o poeta revela uma escrita marcada pelo estilo seco, cortante, uma visão materialista da escrita, além de seu desprezo ao enfeite e à beleza fácil.
A leitura sempre surpreendente de seus poemas logo convence que João Cabral era um arquiteto da poesia - cada verso era cuidadosamente pensado, a fim de dar forma a uma estrutura consistente do poema. Com isso, despertou a atenção dos concretistas que, para se legitimarem, elegeram-no seu precursor.
Havia, realmente, alguma semelhança. Em sua poesia, João Cabral oferecia uma visão objetiva, expressa principalmente nos versos sem retoques que retratam a triste realidade nordestina e que tem um ponto alto em Morte e Vida Severina. "Mas, ao contrário da aparente impessoalidade, sua poesia revela um poder muito mais agudo e uma emoção ainda mais essencial, que infelizmente poucos hoje conseguem detectar", comenta a editora Isa Pessoa, coordenadora da reedição e que convidou Antonio Carlos Secchin para estabelecer o texto e cuidar da bibliografia.
Descobrir o poeta
A proposta, portanto, é justamente promover o descobrimento de João Cabral. E isso acontece com O Cão sem Plumas, seu primeiro poema de grande fôlego, um dos marcos definitivos da poesia brasileira e um divisor de águas na poética de João Cabral. "De 1942 a 1947, ele realizou a proeza notável de construir uma identidade autoral forte e renovadora a princípio, que foi se tornando verdadeiramente revolucionária a cada nova publicação", escreve Armando Freitas Filho, na introdução da nova edição de O Cão sem Plumas, lembrando ser esse o livro que dá a partida dessa "revolução sorrateira feita fora do Brasil, no ‘exílio’ diplomático, à margem das editoras, em edições do autor, hoje verdadeiras raridades bibliográficas".
João Cabral viveu 35 anos fora do Brasil como diplomata, até se aposentar como embaixador. Serviu na Espanha, na França, na Inglaterra, na Suíça, no Equador, em Honduras e em Portugal. Mas suas aldeias sempre foram Recife e Sevilha. "Parecia um homem fechado, circunspecto, de fachada intransponível, mas não era", relembra Inez Cabral. "Minha guerra santa atual é mostrar que meu pai não era uma pessoa difícil."
Foi por isso que ela decidiu propor a organização dos poemas intimistas de O Artista Inconfessável. Inez pretendia realizar um documentário, pois acreditava ser o meio mais eficaz para divulgar a obra do pai entre os jovens leitores. "Não me interessa falar aos acadêmicos, que construíram uma idéia até certo ponto errada de sua obra - pretendo chegar aos adolescentes que, quando descobrem sua poesia, descobrem também que João Cabral é pop."
Documentário
A idéia ecoou positivamente na Alfaguara que, para divulgar o relançamento da obra, vai exibir um documentário em algumas livrarias - em setembro, a Cultura será uma das escolhidas. "Percebemos que o leitor gosta de estar próximo do autor, daí a importância das sessões de autógrafo", conta Isa Pessoa. "Como o poeta não está mais vivo, decidimos exibir um filme com uma série de depoimentos de artistas cuja obra incorporou a poesia do João Cabral."
Chico Buarque de Holanda participa de um dos momentos mais tocantes. Ele se lembra que João Cabral era ostensivamente antimusical e reagiu mal quando pediram autorização para musicar Morte e Vida Severina. "Depois de acompanhar o resultado final, meu pai se tornou o maior fã do Chico, empolgadíssimo com o trabalho que ele realizou", lembra Inez.
Chico Buarque também contraria a lenda de que a poesia cabralina seria seca ao confessar que ainda vai às lágrimas quando relê algum de seus poemas. Sobre o mesmo tema, aliás, a cantora e compositora Adriana Calcanhotto é precisa no comentário: "João podia não chorar, mas sua poesia sempre nos emociona."
Assim, continua poderoso o rastro deixado por João Cabral, que pretendia "levar poesia à porta do homem moderno".
João Cabral de Melo Neto
Reedição da obra do poeta comprova a vitalidade da sua poesia calculada
Ubiratan Brasil, do Estadão
SÃO PAULO - Em uma de suas poesias, O Que se Diz ao Editor a Propósito de Poemas, João Cabral de Melo Neto reclamava que seus livros tinham de ser logo publicados, ato que os tornavam embalsamados. "E preciso logo embalsamá-lo: / enquanto ele me conviva, vivo, / está sujeito a cortes, enxertos: / terminará amputado do fígado, / terminará ganhando outro pâncreas; / e se o pulmão não pode outro estilo / (esta dicção de tosse e gagueira), / me esgota, vivo em mim, livro-umbigo." A fama de recluso, portanto, não refletia na obra - em vários de seus versos, João Cabral, um poeta da mesma grandeza de Pessoa e Drummond, fazia confissões com idêntica emoção, mais aguda e afiada, como um grito quase petrificado.
É o que se pode observar no livro O Cão sem Plumas, que chega nesta segunda-feira, 27, às livrarias ao lado da coletânea inédita O Artista Inconfessável, iniciando a valiosa reedição da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), agora sob a chancela da Alfaguara. "E é por isso que decidimos criar aquele volume, que não existe de fato na sua bibliografia", explica Inez Cabral, filha do poeta. "Ali, ao longo de uma seleção de poemas cuidadosamente escolhidos, todos com traços biográficos, queremos mostrar que João Cabral nunca foi totalmente cerebral, anêmico."
Morte e Vida Severina
De fato, com a poesia novamente à disposição (o próximo volume deverá trazer o clássico Morte e Vida Severina), será possível perceber a ruptura radical na linguagem da poesia brasileira provocada por João Cabral. Antes dele, os versos nacionais viviam à sombra do simbolismo e da retórica pomposa. A partir de Pedra do Sono, de 1942, mas especialmente com a publicação de O Cão sem Plumas (1950), o poeta revela uma escrita marcada pelo estilo seco, cortante, uma visão materialista da escrita, além de seu desprezo ao enfeite e à beleza fácil.
A leitura sempre surpreendente de seus poemas logo convence que João Cabral era um arquiteto da poesia - cada verso era cuidadosamente pensado, a fim de dar forma a uma estrutura consistente do poema. Com isso, despertou a atenção dos concretistas que, para se legitimarem, elegeram-no seu precursor.
Havia, realmente, alguma semelhança. Em sua poesia, João Cabral oferecia uma visão objetiva, expressa principalmente nos versos sem retoques que retratam a triste realidade nordestina e que tem um ponto alto em Morte e Vida Severina. "Mas, ao contrário da aparente impessoalidade, sua poesia revela um poder muito mais agudo e uma emoção ainda mais essencial, que infelizmente poucos hoje conseguem detectar", comenta a editora Isa Pessoa, coordenadora da reedição e que convidou Antonio Carlos Secchin para estabelecer o texto e cuidar da bibliografia.
Descobrir o poeta
A proposta, portanto, é justamente promover o descobrimento de João Cabral. E isso acontece com O Cão sem Plumas, seu primeiro poema de grande fôlego, um dos marcos definitivos da poesia brasileira e um divisor de águas na poética de João Cabral. "De 1942 a 1947, ele realizou a proeza notável de construir uma identidade autoral forte e renovadora a princípio, que foi se tornando verdadeiramente revolucionária a cada nova publicação", escreve Armando Freitas Filho, na introdução da nova edição de O Cão sem Plumas, lembrando ser esse o livro que dá a partida dessa "revolução sorrateira feita fora do Brasil, no ‘exílio’ diplomático, à margem das editoras, em edições do autor, hoje verdadeiras raridades bibliográficas".
João Cabral viveu 35 anos fora do Brasil como diplomata, até se aposentar como embaixador. Serviu na Espanha, na França, na Inglaterra, na Suíça, no Equador, em Honduras e em Portugal. Mas suas aldeias sempre foram Recife e Sevilha. "Parecia um homem fechado, circunspecto, de fachada intransponível, mas não era", relembra Inez Cabral. "Minha guerra santa atual é mostrar que meu pai não era uma pessoa difícil."
Foi por isso que ela decidiu propor a organização dos poemas intimistas de O Artista Inconfessável. Inez pretendia realizar um documentário, pois acreditava ser o meio mais eficaz para divulgar a obra do pai entre os jovens leitores. "Não me interessa falar aos acadêmicos, que construíram uma idéia até certo ponto errada de sua obra - pretendo chegar aos adolescentes que, quando descobrem sua poesia, descobrem também que João Cabral é pop."
Documentário
A idéia ecoou positivamente na Alfaguara que, para divulgar o relançamento da obra, vai exibir um documentário em algumas livrarias - em setembro, a Cultura será uma das escolhidas. "Percebemos que o leitor gosta de estar próximo do autor, daí a importância das sessões de autógrafo", conta Isa Pessoa. "Como o poeta não está mais vivo, decidimos exibir um filme com uma série de depoimentos de artistas cuja obra incorporou a poesia do João Cabral."
Chico Buarque de Holanda participa de um dos momentos mais tocantes. Ele se lembra que João Cabral era ostensivamente antimusical e reagiu mal quando pediram autorização para musicar Morte e Vida Severina. "Depois de acompanhar o resultado final, meu pai se tornou o maior fã do Chico, empolgadíssimo com o trabalho que ele realizou", lembra Inez.
Chico Buarque também contraria a lenda de que a poesia cabralina seria seca ao confessar que ainda vai às lágrimas quando relê algum de seus poemas. Sobre o mesmo tema, aliás, a cantora e compositora Adriana Calcanhotto é precisa no comentário: "João podia não chorar, mas sua poesia sempre nos emociona."
Assim, continua poderoso o rastro deixado por João Cabral, que pretendia "levar poesia à porta do homem moderno".
terça-feira, 5 de junho de 2007
MANDALA
Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.
Nas sociedades primitivas, o ciclo cósmico, que tinha a imagem de uma trajetória circular (circunferência), era identificado como o ano. O simbolismo da santidade e eternidade do templo aparece claramente na estrutura mandálica dos santuários de todas as épocas e civilizações. Uma vez que o plano arquitetônico do templo é obra dos deuses e se encontra no centro muito próximo deles, esse lugar sagrado está livre de toda corrupção terrestre. Daí a associação dos templos às montanhas cósmicas e a função que elas exercem de ligação entre a Terra e o Céu.
A mandala como simbolismo do centro do mundo dá forma não apenas as cidades, aos templos e aos palácios reais, mas também a mais modesta habitação humana. A morada das populações primitivas é comumente edificada a partir de um poste central e coloca seus habitantes em contato com os três níveis da existência: inferior, médio e superior. A habitação para ele não é apenas um abrigo, mas a criação do mundo que ele, imitando os gestos divinos, deve manter e renovar. Assim, a mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus. Um exemplo bem típico brasileiro de mandala, a partir da arquitetura, é a planta superior da Catedral de Brasília.
Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.
O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as Quatro Nobres Verdades. As mandalas são consideradas importantíssimas para a preparação de iniciadores ao Budismo, de forma a prepará-los para o estudo do significado da iluminação.
O processo de construção de uma mandala é uma forma de meditação constante. É um processo bastante lento, com movimentos meticulosos. O grande benefício para os que meditam a partir da mandala reside no fato de que a imaginaram mentalmente construída numa detalhada estrutura tridimensional.
No processo da construção de uma madala, a arte transforma-se numa cerimônia religiosa e a religião transforma-se em arte. Quando a mandala está terminada, apresenta-se como uma construção extremamente coloria. Depois do ciclo é desmanchada, a areia é depositada, geralmente, na água. Apenas uma parte é guardada e oferecida aos participantes.
Um monge inicia a destruição desenhando linhas circulares com seu dedo, depois espalham a areia e a colocam em uma urna. Quando a areia é toda recolhida, eles apagam as linhas que serviram de guia à construção e despejam a areia nas águas do rio.
Nas sociedades primitivas, o ciclo cósmico, que tinha a imagem de uma trajetória circular (circunferência), era identificado como o ano. O simbolismo da santidade e eternidade do templo aparece claramente na estrutura mandálica dos santuários de todas as épocas e civilizações. Uma vez que o plano arquitetônico do templo é obra dos deuses e se encontra no centro muito próximo deles, esse lugar sagrado está livre de toda corrupção terrestre. Daí a associação dos templos às montanhas cósmicas e a função que elas exercem de ligação entre a Terra e o Céu.
A mandala como simbolismo do centro do mundo dá forma não apenas as cidades, aos templos e aos palácios reais, mas também a mais modesta habitação humana. A morada das populações primitivas é comumente edificada a partir de um poste central e coloca seus habitantes em contato com os três níveis da existência: inferior, médio e superior. A habitação para ele não é apenas um abrigo, mas a criação do mundo que ele, imitando os gestos divinos, deve manter e renovar. Assim, a mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus. Um exemplo bem típico brasileiro de mandala, a partir da arquitetura, é a planta superior da Catedral de Brasília.
Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.
O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as Quatro Nobres Verdades. As mandalas são consideradas importantíssimas para a preparação de iniciadores ao Budismo, de forma a prepará-los para o estudo do significado da iluminação.
O processo de construção de uma mandala é uma forma de meditação constante. É um processo bastante lento, com movimentos meticulosos. O grande benefício para os que meditam a partir da mandala reside no fato de que a imaginaram mentalmente construída numa detalhada estrutura tridimensional.
No processo da construção de uma madala, a arte transforma-se numa cerimônia religiosa e a religião transforma-se em arte. Quando a mandala está terminada, apresenta-se como uma construção extremamente coloria. Depois do ciclo é desmanchada, a areia é depositada, geralmente, na água. Apenas uma parte é guardada e oferecida aos participantes.
Um monge inicia a destruição desenhando linhas circulares com seu dedo, depois espalham a areia e a colocam em uma urna. Quando a areia é toda recolhida, eles apagam as linhas que serviram de guia à construção e despejam a areia nas águas do rio.
terça-feira, 10 de abril de 2007
WHEATFIELD WITH CROWS

CORVOS
Um observador se encontra diante dos trabalhos de \/incent van Gogh no Museu Van Gogh, em Amsterdã - Holanda। Anda de um lado para outro e senta defronte de um quadro, meditativo. Se apresenta irrequietos com as imagens, quando depara com o quadro da ponte e coloca o chapéu na cabeça e fica compenetrado na obra. Adentra no sentido figurado no ambiente retratado pelas imagens pintadas. No primeiro plano depara com as lavadeiras de roupa e procura pelo pintor. Na seqüência do movimento, as águas movimentam e uma carroça cruza a ponte. Podemos ver a riqueza do cenário cuja ponte é confeccionada conforme a pintura, usando alguns recursos da obra no que se refere aos matizes usados pelo artista. O visitante caminha por entre plantações, as casas calhadas com cores quentes. Tons amarelados e azuis, telhas avermelhadas. Detalhes das janelas bem explícitas. Os objetos se apresentam de forma marcante, carroças e rodas coloridas. O caminhante continua até avistar o pintor num roçado do trigal recém colhido. Este se encontra fazendo alguns estudos quando é abordado pelo visitante que lhe pergunta ser ele van Gogh seguido de um breve silêncio onde se ouve apenas o ruído do lápis por sobre o papel. O pintor devolve com outra pergunta:
─ Porque não está pintando? O cenário é incrível. Parecer um quadro não faz o quadro.
Esta frase soa como uma critica ao realismo e aos positivistas. Na seqüência ele continua:
─ Se olhar com atenção, a natureza tem sua própria beleza, quando esta beleza existe, perco-me nela. Então como em um sonho... O cenário se pinta sozinho. Eu absorvo essa cena natural. Devora-a total e completamente... e quando termino o quadro aparece diante de mim. Mas é tão difícil controlar.
─ E o que faz?
─ Trabalho. Escraviso-me. Impulsiona-me como um trem.
Neste momento aparece uma cena de uma locomotiva deslizando suas rodas. Esta representação da máquina, intercalando com a troca de papel na prancheta para a realização de um novo desenho de observação, carregado de gestos rápidos debaixo de um sol escaldante. O pintor trajava um chapéu por sobre a cabeça e um pano amarrando-a e cobrindo a orelha cortada. Neste instante ele diz:
─ Preciso me apressar. O tempo está acabando. Resta-me tão pouco tempo para pintar.
─ Você está bem? Parece ferido. Questiona o visitante.
─ Isto? Ontem completava um auto-retrato, não conseguia retratar a orelha, por isso cortei-a. O sol me compele a pintar, não posso perder tempo falando.
O visitante caminha pela paisagem e encontra com os registros do pintor e perambula por entre eles. Diferentes coloridos monocromáticos ocres, sobre tons azuis com detalhes claros e escuros: paisagens pastéis e suaves; caminhos com ciprestes e gramíneas amareladas; canteiros coloridos como se fossem flores e troncos robustos de árvores. Os cenários colo1idos com grossas camadas de tintas expressando texturas táteis. Num passe de mágica, a computação gráfica leva o visitante a percorrer o caminho pintado no quadro.
Simbolicamente o personagem adentra no universo de Arles e carninha com o intuito de entender um pouco mais sobre a obra. Na Seqüência Akira Kurosawa nos apresenta vários cenários e paisagens de van Gogh como se fosse uma busca apressada, e quando consegue avistar o pintor que avança no trigal fazendo elevar um bando de corvos e num pulsar automático, registra o instante como se fosse uma máquina fotográfica, congelando eternamente aquela imagem. Neste momento, o observador parado diante do quadro, retira num gesto simbólico seu chapéu como uma forma de saldar a obra e o artista,
KUROSAWA, AKIRA. Corvos. In Sonhos,
Fausto Fábio de Araújo. Uberlândia, outubro de 1997.
sábado, 24 de março de 2007
GUIGNARD, Alberto da Veiga

GUIGNARD, Alberto da Veiga
Tinha uma inclinação por temas populares, cujo lirismo o aproxima dos artistas ingênuos. Guignard é considerado um dos mestres da pintura moderna brasileira. Nasceu em Nova Friburgo-RG, viajou para a Alemanha em 1916 e matriculou-se na Real Academia de Belas-Artes da Baviera em Munique. Sob certos aspectos seu estilo se aproxima de uma simplicidade primitivista.
Sua obra dominada entretanto por uma perfeita concepção técnica presente em seus desenhos, sínteses de paisagens, feitas de grafismo sem hesitações. Revelou-se um dos melhores retratistas. Em Belo horizonte fundou a Escola Municipal de Belas Artes influenciando novas gerações.
Ligado às cidades mineiras de tradição colonial como São João Del Rei, Sabará e Ouro Preto, onde passou a residir. Seu estilo passou a absorver as sinuosidades do barroco, as cores, as pinceladas leves, impressionistas pelo espírito e diluídas como aquarelas, sugerindo a atmosfera límpida do planalto mineiro e a poesia que emana de suas velhas cidades. Usou como temas as festas populares (juninas).
Tinha uma inclinação por temas populares, cujo lirismo o aproxima dos artistas ingênuos. Guignard é considerado um dos mestres da pintura moderna brasileira. Nasceu em Nova Friburgo-RG, viajou para a Alemanha em 1916 e matriculou-se na Real Academia de Belas-Artes da Baviera em Munique. Sob certos aspectos seu estilo se aproxima de uma simplicidade primitivista.
Sua obra dominada entretanto por uma perfeita concepção técnica presente em seus desenhos, sínteses de paisagens, feitas de grafismo sem hesitações. Revelou-se um dos melhores retratistas. Em Belo horizonte fundou a Escola Municipal de Belas Artes influenciando novas gerações.
Ligado às cidades mineiras de tradição colonial como São João Del Rei, Sabará e Ouro Preto, onde passou a residir. Seu estilo passou a absorver as sinuosidades do barroco, as cores, as pinceladas leves, impressionistas pelo espírito e diluídas como aquarelas, sugerindo a atmosfera límpida do planalto mineiro e a poesia que emana de suas velhas cidades. Usou como temas as festas populares (juninas).
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